Wednesday, June 17, 2015

Um modelo ideal para resolver as diferencias culturais

As diferenças culturais são o maior desafio para o empreendedor estrangeiro.  A cultura é o sistema de regras mais fundamental que governa relações entre pessoas numa sociedade. Estas regras se desenvolvem ao longo de séculos e são tão complicadas que demora muito tempo para aprendê-las. A maioria aprende regras sociais através do processo de ser criado numa sociedade mas, mesmo assim, algumas nunca aprendem bem e são condenadas passar a vida em conflito com seus concidadãos.

Pode ser muita agradável e mesmo divertido experimentar diferenças culturais e é por isso que pessoas viajem longas distâncias para conhecer indígenas em amazonas, a família real do Reino Unido, ou os mercados flutuantes da Tailândia.  Porém, é uma coisa visitar um país estrangeiro para algumas semanas e observar as diferenças culturais. É uma outra coisa morar num outro país e ter que se familiarizar com estas diferenças culturais, especialmente quando o estrangeiro é investidor e ter que obter um retorno no seu investimento. Aqui no Brasil, o investidor estrangeiro pode vir a ter vantagens por ser estrangeiro, porém ele está participando num jogo no qual ele raramente tem o mesmo entendimento das regras quanto os jogadores nacionais.

Esta é a minha posição.  Em comparação com a maioria dos imigrantes, cheguei aqui com um bom entendimento da cultura brasileira e do mundo comercial do Brasil. Tinha muita experiência como empreendedor também. Mesmo assim, aprendi rapidamente que a língua não seria meu maior problema. Como falamos em inglês, eu simplesmente não sabia quais botões apertar e quais evitar. Não era só eu que tinha problemas, tenho certeza que meus fornecedores devem sentir medo sobre o futuro dos seus contratos, meus funcionários devem se sentir inseguros, e sei que minha advogada acha que sou uma pessoa muito difícil.

Estou preocupado principalmente com meus empregados. Conto com eles porque eles são responsáveis pela renda da loja e não tenho as habilidades necessárias para trabalhar nas lojas. Ao mesmo tempo, eles tem que ser treinados para ser mais eficientes e produtivos.  O desafio reside em desenvolver e motivar meus funcionários dentro de um sistema de regras culturais que eu não entendo bem.

Estava assistindo uma entrevista recentemente com o David Neeleman, o fundador e presidente da Azul Linhas Aéreas.  O Neeleman é um americano-brasileiro e ele falava sobre suas experiências do mundo comercial brasileiro. Na verdade, ele é um gringo empreendedor também e eu podia me identificar muito com sua história sobre a criação da Azul e percebi que o Neeleman e a Azul podem ser modelos para mim.  Ele tinha encontrado as mesmas diferenças e desafios que eu e ele aplicou várias soluções.  Ele percebeu o jeito do brasileiro e adaptou suas estratégias para as circunstâncias.

A Azul é conhecida no mercado como a melhor linha aérea do país e por isso providencia um modelo para eu usar na minha empresa.  Agora falamos sobre sendo a Azul de servidores oferecendo melhor atendimento e serviços inovadores.  Os funcionários também têm um modelo no Neeleman que eles podem usar para entender como um chefe pode ter ideias diferentes da maioria que ainda podem ser boas.  Começando na próxima terça-feira, vou iniciar uma reunião semanal na qual vamos falar sobre estratégias, planos e problemas e compartilhar ideias e soluções. Nessa primeira reunião vou mostrar uma entrevista em português entre o Neeleman e um professor de marketing.  Vai ser interessante ver a reação deles.

Thursday, June 11, 2015

Uma situação absurda

Após de conhecer o Brasil há oito anos e após de morar aqui há mais que dois anos, estou acostumado aos processos e procedimentos burocráticos, bizarros que definam este país.  Às vezes, porém, acontecem acontecimentos que levam o nível de absurdo às alturas ainda mais inacreditáveis. Estava ocupado com um desses tipos de situações no momento e está historia inacreditável vai ser o assunto desse capítulo do blog.

Nossa PostNet está nesta propriedade há mais que quatro anos e, naturalmente, percebi que seria necessário transferir o contrato de locação do último dono para nossa empresa. Mas, nunca pensei que este processo se tornaria o aspecto mais problemático da aquisição inteira, ou que uma locadora teria tão pouco interesse em manter um inquilino para seu cliente.

No inicio do processo, algumas semanas atrás, a locadora (louca-dora!) pediu um monte de documentos. Estou acostumado a isso e passei algumas horas preparando esses documentos, indo para o cartório para autenticá-los, e os entregando à advogada que tratava do processo para mim. (Regra número um no Brasil - não sair da cama sem o apoio de um bom advogado!!).

O processo demorou algumas semanas por causa de atrasos com a emissão do novo contrato social pela Junta Comercial e, consequentemente, a emissão do CNPJ pela Receita, e o Alvará pela Prefeitura.  Finalmente, estes documentos foram emitidos e o processo reiniciou.  Nem preciso dizer que a locadora decidiu que precisava ainda mais documentos. Na minha vida anterior ao Brasil, eu teria reclamado e perguntado porque ela precisava outros documentos quando as circunstancias não mudaram mas, hoje em dia, eu tenho aprendido que é mais rápido, e menos frustrante, só cumprir.

Tenho que explicar que, aqui em Curitiba, existem regras bizarras sobre a locação de imóvel comercial. Cada locatário precisa de um fiador, mesmo se ele é milionário ou, possivelmente, mesmo amigo do Beto (o Governador). Este fiador não pode ser parceiro no comércio nem ter nenhuma relação com a empresa locatária.  Tem que ser uma pessoa física que seja proprietária aqui em Curitiba e o valor da propriedade seja, ao menos, igual ao custo anual da locação - nesse caso R$52 000. Obviamente estes fiadores são, em geral, parentes do locatário.  Outras alternativas são seguro que, nesse caso, custaria quase R$9 000 por ano ou, se você fosse idiota, a opção existe de colocar R$52 000 numa conta para o prazo do contrato, sem ganhar um centavo em juros.

A advogada concordou falar com a locadora, explicar nossa situação, e negociar uma solução apropriada. Enquanto isso, porém, a advogada me ligou e me informou que a locadora pedia um aumento na aluguel de 16%!!! Fiquei muito bravo e falei, entre outras coisas, que tal aumento não só era ridículo, mas ofensivo também e que, na minha opinião, a locadora tinha prejudicado a relação entre nós, já no início.  Depois de mais conversas, o aumento caiu até 8% por ano mas não me sentia mais confortável.

Então começou o circo de verdade. Aceitamos que não tínhamos acesso a um fiador e que seria necessário pagar o seguro.  Nossa advogada preencheu os formulários necessários e os enviou para a locadora.  Ao redor de uma semana depois, a advogada me ligou e me avisou que o seguro foi rejeitado. Na opinião da Porto Seguro, nossa empresa não tinha a capacidade pagar o aluguel pedido .  Claramente, faltava alguma coisa na documentação que foi enviada para a Porto Seguro porque o aluguel só aumentou 8% e a empresa estava muita lucrativa.

Naquele momento decidi que a advogada era uma parte do problema e que não queria ter mais relações com a locadora, mesmo se o resultado fosse uma mudança para outras instalações. Também percebi que eu teria que ter uma solução permanente para esta barreira ou a problema aconteceria cada vez que nós estabelecêssemos uma nova loja.

Já temos uma relação forte com uma outra locadora que se chama Apolar, na verdade a maior locadora em Curitiba.  Compramos todos nossos apartamentos por eles e hoje eles cuidam das propriedades para nós.  Sempre achamos os funcionários da Apolar prestativas, inovativas, e profissionais. Por isso, depois de sair da advocacia fui para nossa consultora da Apolar e, em menos de 15 minutas, ela oferecia duas soluções. Ela tentaria trocar uma propriedade com a locadora problemática e se concordasse, a Apolar seria nossa proprietária na loja existente e todas as novas lojas. Se ela não concordasse, a Apolar podia oferecer várias outras opções. Estou aguardando a resposta.

Sunday, June 7, 2015

Bom dia todos,

Sou Donald, como o pato, e sou empreendedor estrangeiro na cidade linda de Curitiba no sul do Brasil. Tenho que escrever textos para minhas aulas de português mas achei chato e, em vez disso, decidi criar um blog sobre minhas aventuras como empresário novo, de pequeno porte, aqui em Curitiba. Pensava que seria útil compartilhar minhas experiências com outros empreendedores estrangeiros potências e brasileiros também, que querem entender melhor os hábitos comerciais do gringo! Agradecerei seus comentários e sugestões.

Meu companheiro e eu começamos investindo em imóveis aqui em Curitiba em 2007 e hoje temos quatro apartamentos em várias partes da cidade. Então, em 2012, quando decidimos sair da África do Sul, o destino óbvio era Brasil.  Já conhecemos bem o país, falamos português (mais ou menos), e adorávamos a cultura e o povo brasileiro.

É relativemente fácil imigrar para o Brasil. Na época só tínhamos que investir US$100 000 e empregar cinco brasileiros para receber um visto permanente. Já investíramos o dinheiro necessário e por isso, só tínhamos que encontrar um investimento que empregasse os cinco brasileiros.  É aqui que a história inicia.

Não é fácil para o estrangeiro investir no Brasil e uma das razões para isto é que a cultura comercial é tão diferente de outras. Por exemplo, poucos empreendedores de pequeno porte mantêm as contas confiáveis e, por isso, é muito difícil valorizar oportunidades prospectivas e eventualmente, não tinhamos outra opção senão considerar uma franquia para minimizar o risco. Nós escolhemos PostNet.

PostNet é uma franquia americana que serve como loja de conveniência para pequenas e médias empresas. As lojas oferecem uma variedade grande de serviços incluindo remessas pelas FedEx, DHL e UPS, obras gráficas, impressões, internet, e serviços SPC. Embora a marca ainda não seja bem conhecida aqui no Brasil e existe só uma loja aqui em Curitiba, conhecemos a marca da África do Sul onde existe em todo lugar e onde tem uma reputação excelente. Achei o representante do franqueador muito profissional quando nos reunimos em São Paulo, o que nos ajudou muito com a decisão a ser franquiadores da PostNet em Curitiba.

Enquanto fazia pesquisa sobre localizações para a nova loja, conheci o dono da loja que já existia no centro da cidade e que controlava a região lucrativa central. Felizmente ele quis vender a franquia dele que apresentou uma oportunidade imperdível. Compramos aquela loja e já planejamos abrir outra numa outra área do centro.

Então, você sabe as origens de meu projeto de empreendedorismo.  No próximo postagem, vou falar sobre as primeiras semanas e como meus planos para o investimento mudaram quando percebi o potencial da marca nesta cidade.