Thursday, June 11, 2015

Uma situação absurda

Após de conhecer o Brasil há oito anos e após de morar aqui há mais que dois anos, estou acostumado aos processos e procedimentos burocráticos, bizarros que definam este país.  Às vezes, porém, acontecem acontecimentos que levam o nível de absurdo às alturas ainda mais inacreditáveis. Estava ocupado com um desses tipos de situações no momento e está historia inacreditável vai ser o assunto desse capítulo do blog.

Nossa PostNet está nesta propriedade há mais que quatro anos e, naturalmente, percebi que seria necessário transferir o contrato de locação do último dono para nossa empresa. Mas, nunca pensei que este processo se tornaria o aspecto mais problemático da aquisição inteira, ou que uma locadora teria tão pouco interesse em manter um inquilino para seu cliente.

No inicio do processo, algumas semanas atrás, a locadora (louca-dora!) pediu um monte de documentos. Estou acostumado a isso e passei algumas horas preparando esses documentos, indo para o cartório para autenticá-los, e os entregando à advogada que tratava do processo para mim. (Regra número um no Brasil - não sair da cama sem o apoio de um bom advogado!!).

O processo demorou algumas semanas por causa de atrasos com a emissão do novo contrato social pela Junta Comercial e, consequentemente, a emissão do CNPJ pela Receita, e o Alvará pela Prefeitura.  Finalmente, estes documentos foram emitidos e o processo reiniciou.  Nem preciso dizer que a locadora decidiu que precisava ainda mais documentos. Na minha vida anterior ao Brasil, eu teria reclamado e perguntado porque ela precisava outros documentos quando as circunstancias não mudaram mas, hoje em dia, eu tenho aprendido que é mais rápido, e menos frustrante, só cumprir.

Tenho que explicar que, aqui em Curitiba, existem regras bizarras sobre a locação de imóvel comercial. Cada locatário precisa de um fiador, mesmo se ele é milionário ou, possivelmente, mesmo amigo do Beto (o Governador). Este fiador não pode ser parceiro no comércio nem ter nenhuma relação com a empresa locatária.  Tem que ser uma pessoa física que seja proprietária aqui em Curitiba e o valor da propriedade seja, ao menos, igual ao custo anual da locação - nesse caso R$52 000. Obviamente estes fiadores são, em geral, parentes do locatário.  Outras alternativas são seguro que, nesse caso, custaria quase R$9 000 por ano ou, se você fosse idiota, a opção existe de colocar R$52 000 numa conta para o prazo do contrato, sem ganhar um centavo em juros.

A advogada concordou falar com a locadora, explicar nossa situação, e negociar uma solução apropriada. Enquanto isso, porém, a advogada me ligou e me informou que a locadora pedia um aumento na aluguel de 16%!!! Fiquei muito bravo e falei, entre outras coisas, que tal aumento não só era ridículo, mas ofensivo também e que, na minha opinião, a locadora tinha prejudicado a relação entre nós, já no início.  Depois de mais conversas, o aumento caiu até 8% por ano mas não me sentia mais confortável.

Então começou o circo de verdade. Aceitamos que não tínhamos acesso a um fiador e que seria necessário pagar o seguro.  Nossa advogada preencheu os formulários necessários e os enviou para a locadora.  Ao redor de uma semana depois, a advogada me ligou e me avisou que o seguro foi rejeitado. Na opinião da Porto Seguro, nossa empresa não tinha a capacidade pagar o aluguel pedido .  Claramente, faltava alguma coisa na documentação que foi enviada para a Porto Seguro porque o aluguel só aumentou 8% e a empresa estava muita lucrativa.

Naquele momento decidi que a advogada era uma parte do problema e que não queria ter mais relações com a locadora, mesmo se o resultado fosse uma mudança para outras instalações. Também percebi que eu teria que ter uma solução permanente para esta barreira ou a problema aconteceria cada vez que nós estabelecêssemos uma nova loja.

Já temos uma relação forte com uma outra locadora que se chama Apolar, na verdade a maior locadora em Curitiba.  Compramos todos nossos apartamentos por eles e hoje eles cuidam das propriedades para nós.  Sempre achamos os funcionários da Apolar prestativas, inovativas, e profissionais. Por isso, depois de sair da advocacia fui para nossa consultora da Apolar e, em menos de 15 minutas, ela oferecia duas soluções. Ela tentaria trocar uma propriedade com a locadora problemática e se concordasse, a Apolar seria nossa proprietária na loja existente e todas as novas lojas. Se ela não concordasse, a Apolar podia oferecer várias outras opções. Estou aguardando a resposta.

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