As diferenças culturais são o maior desafio para o empreendedor estrangeiro. A cultura é o sistema de regras mais fundamental que governa relações entre pessoas numa sociedade. Estas regras se desenvolvem ao longo de séculos e são tão complicadas que demora muito tempo para aprendê-las. A maioria aprende regras sociais através do processo de ser criado numa sociedade mas, mesmo assim, algumas nunca aprendem bem e são condenadas passar a vida em conflito com seus concidadãos.
Pode ser muita agradável e mesmo divertido experimentar diferenças culturais e é por isso que pessoas viajem longas distâncias para conhecer indígenas em amazonas, a família real do Reino Unido, ou os mercados flutuantes da Tailândia. Porém, é uma coisa visitar um país estrangeiro para algumas semanas e observar as diferenças culturais. É uma outra coisa morar num outro país e ter que se familiarizar com estas diferenças culturais, especialmente quando o estrangeiro é investidor e ter que obter um retorno no seu investimento. Aqui no Brasil, o investidor estrangeiro pode vir a ter vantagens por ser estrangeiro, porém ele está participando num jogo no qual ele raramente tem o mesmo entendimento das regras quanto os jogadores nacionais.
Esta é a minha posição. Em comparação com a maioria dos imigrantes, cheguei aqui com um bom entendimento da cultura brasileira e do mundo comercial do Brasil. Tinha muita experiência como empreendedor também. Mesmo assim, aprendi rapidamente que a língua não seria meu maior problema. Como falamos em inglês, eu simplesmente não sabia quais botões apertar e quais evitar. Não era só eu que tinha problemas, tenho certeza que meus fornecedores devem sentir medo sobre o futuro dos seus contratos, meus funcionários devem se sentir inseguros, e sei que minha advogada acha que sou uma pessoa muito difícil.
Estou preocupado principalmente com meus empregados. Conto com eles porque eles são responsáveis pela renda da loja e não tenho as habilidades necessárias para trabalhar nas lojas. Ao mesmo tempo, eles tem que ser treinados para ser mais eficientes e produtivos. O desafio reside em desenvolver e motivar meus funcionários dentro de um sistema de regras culturais que eu não entendo bem.
Estava assistindo uma entrevista recentemente com o David Neeleman, o fundador e presidente da Azul Linhas Aéreas. O Neeleman é um americano-brasileiro e ele falava sobre suas experiências do mundo comercial brasileiro. Na verdade, ele é um gringo empreendedor também e eu podia me identificar muito com sua história sobre a criação da Azul e percebi que o Neeleman e a Azul podem ser modelos para mim. Ele tinha encontrado as mesmas diferenças e desafios que eu e ele aplicou várias soluções. Ele percebeu o jeito do brasileiro e adaptou suas estratégias para as circunstâncias.
A Azul é conhecida no mercado como a melhor linha aérea do país e por isso providencia um modelo para eu usar na minha empresa. Agora falamos sobre sendo a Azul de servidores oferecendo melhor atendimento e serviços inovadores. Os funcionários também têm um modelo no Neeleman que eles podem usar para entender como um chefe pode ter ideias diferentes da maioria que ainda podem ser boas. Começando na próxima terça-feira, vou iniciar uma reunião semanal na qual vamos falar sobre estratégias, planos e problemas e compartilhar ideias e soluções. Nessa primeira reunião vou mostrar uma entrevista em português entre o Neeleman e um professor de marketing. Vai ser interessante ver a reação deles.
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